
...Numa manhã escrota fedendo a lixo de semanas e a mágoas de mais tempo ainda. Daqui da varanda dá pra ouvir os primeiros incômodos sonoros. Os operários daquele prédio que não termina nunca, ônibus, carros, ambulâncias, a voz da síndica, e os vizinhos... ah os vizinhos... Eu quero matá-los mas acho que daqui a pouco vou lá pedir um copo de café... talvez. Eu não gosto dessa gente. Tenho a impressão de que estão sempre confabulando contra mim. Odeio paredes finas. Odeio ser levemente... surdo. Odeio ser levemente... paranóico. Inclusive acabei de me levantar - e agir de forma educada com direito a um clássico "bom dia" - para dar passagem à escada à vizinha do lado e fui retribuído com um silêncio profundo, como se eu fosse um floco de poeira muito sabido, desses que dizem "pode me varrer" ou até mesmo desses que se levantam e dão licença. Enquanto isso a outra vizinha ouve "Hotel California" pela quarta vez no volume "estou de onda com a tua cara". Mais clássico do que ser incomodado - sonoramente falando - com Eagles é ser incomodado com The Mamas and the Papas! Não vamos incluir outras bandas ou estilos musicais brasileiros na lista pq assim como o Brasil tem muita coisa boa, existe o dobro de coisa ruim. Pagodeiro e funkeiro por aqui é como ladrão: morre um e nasce dois (o maior de todos os clichês ofensivos do rock: falar mal dessa estirpe).
Acabei transformando um post light da manhã num post wannabe Alborghetti.
Bom... a quem está lendo ficam meus sinceros agradecimentos. Este é um post sem qualquer significado profundo ou sequer superficial. Estou de mãos atadas com relação a música. Dependo de outras pessoas para dar continuidade ao projeto. E de que forma então o Diablo poderia se expressar sem quebrar os vidros da porta da sala? Na maioria das vezes tenho o intuito de escrever algo que tenha um contexto bacana e interpretativo e - na medida do possível - com alguma moral.
Mas hoje não. Este post é sobre um camarada aborrecido com o lixo, com as mágoas, com o prédio que não termina nunca, ônibus, carros, ambulâncias, a voz da síndica, e com os vizinhos... ah os vizinhos...
Eu quero matá-los.
... ou será mesmo uma boa idéia aquele copo de café?


